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Tuesday, 1 September 2015

A feminista

Quando nasci, fui condenada
A uma existência estéril
Histérica, gaslihgted, abusada
Eternamente subjugada

Proibida de me aceitar
Seu corpo é sujo
Sua ideia é enganosa
Você tem que se odiar
Compre os nossos produtos
E aprenda a se amar

Proibida de me projetar
Seu futuro está claro
Faça esse trabalho
E não o que você quer fazer
Não é bonito, Não é feminino
Você não tem querer

Proibida de me reproduzir
Corte meu corpo, você não pode parir
Parir é sujo, parir é um perigo
Amamentar é nojento
Amamentar é trabalhoso
Amamentar tanto tempo é perigoso
Devolva os seios ao marido

Proibida de me expressar
Cala-se, respeite minha opinião
O médico estudou anos
O marido sabe melhor
Todos querem o nosso bem
Ninguém quer partir meu coração

Quando nasci, fui exterminada
Esterilizada, emasculada
Desempoderada, desenganada
Por essa eterna ingratidão

Sunday, 30 November 2014

Minha imagem

Meu armário tem duas portas corrediças
Cobertas por espelhos
E um dia deixei as portas sobrepostas
E sentei na cama
De frente para a abertura
De onde eu estava
Não podia me ver
Já que o espelho estava
Onde eu não podia alcançar
Só se me mexesse
E me colocasse em outro lugar
E senti falta de me ver
Senti falta da minha imagem
Só via a outra metade da cama
E havia me tornado invisível sem querer
Como na vida que levava
Preciso me levantar
Fechar essa porta
E me olhar no espelho
Ver como sou bonita
Como ainda existo

Friday, 28 November 2014

Quando me calo

Quando me calo, consinto com sua fala
Sua sala de espelhos repletos de imanges tortas

Quando te comportas vejo um rio de falsas atitudes
E vicissitudes amiúde o meu sofrer

E no meu entender me faço gente
Rente, quente e fremente de ardente paixão

E de paixão se fazem os sonhos risonhos
Enfadonhos de tanta felicidade

E na felicidade se esconde o cinismo
O modismo, o realismo, o facismo

Quem precisa do triste, fica em riste
à espera do deslize necessário

O belizário conta o conto dormente
Demente, sedento, escorrendo

O córrego sangra de mortes não vividas
A vida explode de saudades esquecidas

O universo se encanta com a matança
Das células descarnadas dos objetos inanimados

Os desalmados se revigoram na saga sentida
Dessa dor esquecida, sofrida, fingida

Quando me calo permito a sua invasão
Seu coração me atinge com armas de fogo

Quando me calo meu medo me mata
E nessa morte eu vivo há muito tempo...

A busca do meu eu


Onde esta o meu alento
A minha forca, o meu tempo?
Aonde foi minha vitoria
Minha alegria, a minha historia?
Por que so me resta este naco
Este pouco de esperanca
Este reles fato?
Me prometeram autonomia
Liberdade e engrandecimento
Mas so recebi letargia
Impunidade e constrangimento
Busco o meu eu
Aquele ser para chamar de meu
Se algum dia eu o encontrar
Talvez eu tambem o deixe escapar
Porque de tirania e usura
Ja me basta na atual conjectura

Saturday, 7 April 2012

Na solidão de um bar

Longe de tudo o que já vivi e só
A pena é a derradeira amiga
Que teima em mover-se, incessante
Além da folha do caderno, o que resta
É solidão, um vazio constante e real
Vozes distantes, por não se dirigirem a mim
Olhares sutis a se perguntarem pela razão
De um ser humano a escrever e chorar
Visões nubladas pela incompreensão
Pares a se encontrarem sem paixão
Homens reunidos para confabular
Crianças a brincarem pelo espaldar
Jovens a jogar promessas ao ar
E uma mulher a fazer o tempo passar
Impulsionada pela vontade de manter o contato
Com as partes mais íntimas de si mesma
De certeza cá está a implorar por um gesto amigo
Ansiosa por se dar a conhecer e amar
Se já não bastasse esta auto-piedade
Carente de ideais ou de um sólido abrigo
Diante de si a tarefa infindável
De transformar seu sussurro num grito
O desabado é um alívio temporário
Mas esclarece e reforça o desejo
De ser sempre, a cada momento vão
Uma história, uma vida, um ensejo
Não apenas um ente sombrio e só
Que perambula, que se anula ou se esvai
E que recai sempre no mesmo erro
Acreditar que só depende de sua força
Para sentir o coração batendo de emoção.

23/06/2004

Sunday, 1 April 2012

Nosso tempo

O meu tempo é o seu, e o seu já se perdeu
Vendeu a sua alma, perdeu a paz e a calma, perdeu foi teu tempo
Não invoca o seu passado, E encobre o que fez de errado
Mas o presente está marcado
A juventude que tinha ao lado
Foi distorcida, deturpada
Hoje é velha, mascarada
Amanhã será velha, falsária
E as razões serão várias
Terá vazão o teu ódio
Perdição a tua vida
Lágrimas de sangue jorrarão
Mas um dia, castos olhos
Para você olharão
E reerguerão os teus alicerces
A esperança dissolverá
A nuvem do teu viver
Chegará um novo alento
A nova era dos conquistadores
Que não serão barrados pelo tempo
Este é o nosso tempo!

Friday, 23 March 2012

Uma nova chance


De volta à vida, acabo descobrindo
O valor de um minuto perdido
Um sinal confuso e confundido
Com bem estar e felicidade
Não se deixe enganar pelos risos
Ou pela facilidade de algumas vitórias
Nada vem de mão beijada
Desconfie de quando o céu parecer tão perto
Pois quando menos você esperar
A vontade seca, a alma se rebela
E o teu sorriso cego se desvela
A felicidade nos escapa a cada dia
E o medo de falhar permeia o caminho
O único medo que falha em meu caminhar
É escapar da chance de ser feliz.